ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS [1997]

de Lewis Carrol

Num balanço de fim de século, consideramos ter sido esta a mais bela obra de literatura para crianças (!), e que mais marcou o imaginário das últimas gerações, sendo considerada justamente como uma criação literária que prenuncia o aparecimento do surrealismo.

As Aventuras de Alice e dos personagens fantásticos do Coelho Branco, do Gato de Cheshire, do Rei e da Rainha de Copas, do Cavaleiro Branco, de Humpty Dumpty, da Tartaruga Falsa e do Chapeleiro Maluco, foram certamente ouvidas pelos nossos pais e avós.

Baseando-se na história de “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e de “Alice do Outro Lado do Espelho”, esta criação é apresentada em Teatro de Sombras, uma técnica oriental de grande beleza e magia, num espectáculo destinado a público de todas as idades.

Fotos

Fotografias de Paulo Barata

Ficha Artística

encenação, versão teatral, e cenografia: João Paulo Seara Cardoso

sombras e figurinos: Júlio Vanzeler

música: Fernando Lapa

adaptação de canções: Regina Guimarães

desenho de luz: António Real

interpretação: Ana Dinis, Igor Gandra, Maria João Castro, Rui Oliveira

produção: Mário Moutinho

secretária de produção: Sofia Carvalho

assistente de promoção: Rosário Costa

tradução: Maria Filomena Duarte

pintura de sombras: Emília Sousa

oficina de construção: Agostinho Silva

técnico de som e luz: Nelson Valente

técnico de montagem: Sérgio Rolo

design gráfico: Júlio Vanzeler

confecções e figurinos: Branca Elíseo

estúdio de som: MCF

colaboração: Deolinda Ramalho

Críticas e Artigos

Alice e o sorriso sem gato

Uma das coisas mais curiosas que Alice encontrou no País das Maravilhas foi um gato sorridente que aparece no céu e que, pouco a pouco, vai desaparecendo, ficando apenas no espaço um sorriso. O sorriso do gato, sem gato.

Não é difícil, hoje em dia, com as técnicas da fotografia, do cinema, do desenho animado, por exemplo, fazer desaparecer gradualmente o gato, mantendo, entretanto, o sorriso do bichano. E essa fantasia sonhada por Lewis Carroll, o autor de “Alice”, é apenas um dos muitos prodígios, metamorfoses, transformações, fragmentações, ampliações, reduções, transmutações, revoluções, irreflexões e invenções delirantes a que ele sujeitou a pobre da Alice.

Para recriar algumas destas imagens, João Paulo Seara Cardoso e os outros artistas que conceberam “Alice no País das Maravilhas” recorreram à técnica das sombras acrílicas coloridas, projectadas num ecrã branco, tudo isso combinado com a arte de manipular, animar e movimentar marionetas. Outra técnica auxiliar é a contracenação entre as figuras coloridas e os actores Ana Dinis, Igor Gandra, Maria João Castro e Rui Oliveira.

Esta “Alice” é mais uma das manifestações da criatividade do Teatro de Marionetas do Porto e da inesgotável miscigenação de artes e técnicas a que cada produção do grupo recorre.

Manuel João Gomes
in "Público"

Perguntas e Respostas

A estratégia narrativa é a da história dentro da história e algumas figuras circulam mesmo pelo universo das figuras humanizadas (como Alice e o Homem Velho) ou pelo da representação icónica das imaginativas e coloridas «sombras» ( Júlio Vanzeler ), onde, por sua vez, haverá desdobramento narrativo.

A função é introduzida por um «cobrador de bilhetes» de um comboio que leva a imaginação do auditório pelo bosque iniciático em que Alice , belissimamente volvida humana pelo gesto estilizado de Ana Dinis (deduzo eu, que o programa não explicita) se perde e se encontra graças ao louco Cavaleiro.

Eugénia Vasques
in "Expresso"

© Teatro de Marionetas do Porto 2008