A COR DO CÉU [2004]

Qual é a cor do céu?
Azul quando está um dia azul,
cinzento quando o dia está cinzentão,
rosa, às vezes, em manhãs de verão,
laranja quando o dia está vai não vai,
negro, logo, logo, quando a noite cai.

(às vezes, a noite vem devagarinho
para não incomodar o dia)
-Boa noite, noite- diz às vezes o dia.

Fotos

Fotografias de Paulo Barata

Ilustrações

Ilustrações de Júlio Vanzeler

Ficha Artística

Encenação, texto e cenografia
João Paulo Seara Cardoso

Desenhos de marionetas e ilustração
Júlio Vanzeler

Música
Jacques-Yves Montand

Figurinos actores
Maria Alice

Desenho de luz
António Real e Rui Pedro Rodrigues

Produção
Sofia Carvalho

Execução musical
Shirley Resende

Interpretação
Edgard Fernandes, Sara Henriques

Pintura de marionetas e adereços
Emília Sousa

Operação de som
Sérgio Rolo

Operação de luz
Rui Pedro Rodrigues

Assistente de produção
Paula Dias

Construção de estruturas
Américo Castanheira, Tudo-Faço

Execução de marionetas e adereços (TMP)
Vítor Silva, Pedro Pereira

Execução de marionetas e adereços (equipa externa)
Cláudia Ribeiro (coordenação), Isabel Pereira, Catarina Barros, Lícia Cunha (aderecistas), Hugo Loureiro (assistente de compras)

Fotografia de cena
Paulo Barata

co-produção
Centro Cultural de Belém, Casa das Artes de Famalicão, Transforma

Apoio
balleteatro auditório

Apoio á divulgação
JN, Público

Ficha Técnica

Palco:

10m – boca de cena / 10m - profundidade / 5m – altura min.
Chão – negro, madeira ou linóleo

Luz:

Dimmers digitais – 52 circuitos – Prot. Com. DMX512
Mesa de luz ETC Express 24/48 ( Mat. da companhia )
Varas de luz ( ver planta em anexo )
Filtros ( ver legenda em anexo)

Projectores :

23  PC 1KW c/ palas e porta filtros
17  Proj. Recorte 1Kw  12/42 c/ porta filtro
1    Proj. Recorte Selecon Pacific
1    Follow spot
9    Proj. Par 64 CP60 c/ porta filtros
1    Gobo ( Mat. da companhia )

Som:

3 monitores colocados no palco
1 Leitor de CD c/ auto cue
1 Mesa de mistura c/ min. 12 vias
1 Processador de efeitos (rev.)
1 Microfone lapela
1 CPU ( Mat. da companhia )

Bastidores:
3 Camarins individuais ou 1 colectivo
Montagem:
12 horas

Staff necessário:

Técnico de luz
Técnico de som
Técnico de palco

Notas:

Para iniciar a montagem o palco deve estar limpo assim como as varas de luz.

No espectáculo é utilizado fumo em pó e bolas de sabão.

Duração do espectáculo: 50 minutos

Espectáculo para maiores de 4 anos

Menções obrigatórias em todo o material promocional do espectáculo:
Estrutura financiada por MC / DGA (com inserção de logótipos)

Críticas e Artigos

Infância revisitada na peça “A Cor do Céu” pelo Teatro de Marionetas

São as perguntas e as dúvidas da infância o motor da nova peça do Teatro de Marionetas do Porto. “A Cor do Céu” , que estreia hoje no Balleteatro Auditório (em Arca D`Água), faz um percurso pelo imaginário infantil através de duas bizarras personagens que vivem num mundo onírico e surreal. A peça é escrita e encenada por João Paulo Seara Cardoso.

Uma casa, um jardim com um estendal de roupa, vasos com flores e um cão robot numa pequena casota fazem o cenário da nova peça direccionada às crianças, do Teatro de Marionetas do Porto. Em conversa com o COMÉRCIO , o encenador e director da companhia João Paulo Seara Cardoso explicou que se baseou nas suas próprias recordações de infância para escrever “A Cor do Céu”.

Pensando acerca do cenário que idealizou, o encenador admite que as suas memórias estão todas lá. “A relva e o estendal eram coisas que faziam parte da minha casa, quando eu era miúdo”. Além do mais, Seara Cardoso também incluiu na peça algumas das questões e comentários das suas filhas. “Quando as minhas filhas estavam a crescer, eu apontava o que elas diziam, as suas dúvidas”, explica.

A estes elementos,  o encenador juntou-lhe mais uns toques pessoais. Recuperou alguns dos contos escritos para a infância que prefere. “Os meus livros favoritos dentro desse género são “O Principezinho”, de Saint-Exupéry, “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol e Winnie the Pooh – versão pré-Disney -, de A. A. Milne. Na peça  são apresentados alguns momentos que remetem para a primeira e segunda histórias. Conta-se o episódio da serpente de “O Principezinho” e faz-se uma paródia à personagem Humpty-Dumpty, o famoso ovo falante de Lewis Carrol. Com esta personagem,  pude explorar  a questão do espaço e do tempo, que é sempre muito importante para uma criança. “Quando eu estava a crescer, custou-me muito perceber o que era o tempo, como é que corria, o que era um mês e um ano, o passado e o futuro”, esclarece João Paulo Seara Cardoso. Outra das histórias favoritas do encenador é “Hansel & Gretel”, o famoso conto da casa de chocolate, que também é aqui contada.

A peça foi escrita na sua maioria em rima. Esta opção, explica o encenador, prende-se com o facto de querer que as personagens se afastassem da linguagem do quotidiano. Como a poesia é o espaço de liberdade literária por excelência, pareceu ser esta a melhor opção para o autor explorar melhor o universo surreal da infância. De resto, admite, a estética do surrealismo é constantemente explorada no seu trabalho.

Curiosamente, a peça, apesar de ter manipulação de objectos, aposta muito mais no trabalho do corpo dos actores, Edgard Fernandes e Sara Henriques. De referir, também um dos elementos mais interessantes da peça – o magnífico cão robot, o Bobby, que se passeia pelo jardim abanando o rabo.

Luísa Marinho
in "O Comércio do Porto", 2 Outubro 2004

Porquê ficar em casa?

Numa manhã, ao acordar, começam a surgir as questões. São as dúvidas das crianças que são abordadas de uma forma poética. Ao longo do dia, como ao longo da infância, elas persistem. E as respostas continuam a surgir de uma forma encantatória. Não se trata de mais um conto de fadas mas de uma dramaturgia quase pedagógica. O imaginário das crianças está como que reflectido na peça do Teatro de Marionetas do Porto, pensada para pequenos e graúdos. “A percepção e os medos que as crianças têm do mundo, que são quase universais, estão registados no texto”, esclareceu o encenador, João Paulo Seara Cardoso. “Amanhã é hoje?”, “Os números nunca acabam?”, “O que são as estrelas?” perguntam e a resposta chega.

Uma casa e um jardim servem de cenário aos intervenientes, responsáveis pelos esclarecimentos. Estes são de carne e osso, mas também marionetas, que, durante a realização das tarefas quotidianas, divagam pelo mundo dos “porquês”. Um colorido imagético que promete não deixar ninguém desatento. O bicho-papão, o hipopótamo voador, a minhoca viúva e a borboleta à toa juntam-se a esta festa. O espectáculo abraça ainda a música que interliga todos os outros elementos de uma forma mágica. E eis que “a noite vem devagarinho para não incomodar o dia”.

Jennifer Mota
in "Público", 2 Outubro 2004

Segredos do dia e da noite

"A Cor do Céu", é um espectáculo dedicado por excelência a crianças muito novas – maiores de quatro anos -, mas também aos seus pais e a todos aqueles que  se interessam por educação e comunicação na infância. Assim,  a sugestão deste  espectáculo – que o Teatro de Marionetas do Porto leva agora à cena – é dirigida a quem estiver interessado em levar os seus mais novos de visita ao já bem distante mundo das lengalengas, das rimas cujo som apetece cantar, dos pequenos-grandes mistérios que todos fomos desvendando nos primeiros anos das nossas vidas.

Dirigido e encenado por João Paulo Seara Cardoso, "A Cor do Céu" não pretende ter princípio ou fim. Mostra antes – com recurso a textos, música, imagens e iluminação – o estado de graça que a infância deveria sempre ser, por muito que os porquês não tenham resposta imediata ou que os terrores induzidos pela proximidade da razão se apresentem como verdadeiros e afinal únicos "papões".

E há também o hipopótamo-balão que só uma menina vê, e a alegre minhoca viúva, e o senhor pequenino que queria ser grande e para isso construiu umas andas…

"A Cor do Céu" é um mundo completo de imaginação, dedicado a um público que gosta especialmente disso. Os desenhos e as ilustrações de Júlio Vanzeller e a música de Jacques-Yves Montand amparam as belas ideias que o Teatro de Marionetas do Porto dá a ver – à semelhança do que sempre fez questão de mostrar junto dos seus muitos públicos. Desde a sua criação.

António Eça de Queiroz
in "Expresso", 9 de Outubro 2004

na Blogosfera

"A Cor do Céu" pelo Teatro de Marionetas do Porto

Regressou o Festival Y ao palco do Cine-Teatro Avenida, com um excelente espectáculo pela companhia do Porto!

Um texto delicioso, com uma encenação/cenografia imaginativa e divertida. Dois actores e uma intérprete musical em palco para um contínuo de delírio que culmina com a entrada em cena do monstro quando já a noite regressa.

Excelente trabalho musical que ajuda, e de que maneira, a criar um mundo onírico cheio de surpresas.

Edgard Fernandes e Sara Henriques, intérpretes, estiveram à altura de um trabalho exigente no plano físico e foram sempre mágicos, tal como o espectáculo. Excelente!

in http://brancapoesia.blogspot.com, 6 de Novembro 2005

© Teatro de Marionetas do Porto 2008