Um exemplo de apetência pela experimentação e competência técnica, com sede no Porto

Testemunhar o crescimento de uma estrutura de criação é, entre nós, um privilégio assaz raro, ainda mais quando se trata de estruturas dedicadas a expressões artísticas menorizadas como,testemunhar o crescimento de uma estrutura de criação é, entre nós, um privilégio assaz raro, ainda mais quando se trata de estruturas dedicadas a expressões artísticas menorizadas como, infelizmente, continua a ser o caso do teatro de marionetas e formas animadas (não estou a exagerar: já alguém reparou que, apesar da generosa distribuição de dinheiros que este Ministério da Cultura tem, em muitos casos, facultado, e da, contestável, atribuição da categoria de “Companhia Convencionada” a um amplo número de grupos, o teatro de marionetas, como o teatro para a infância e juventude, continua, regra geral, a ser remetido para uma espécie de simpático limbo?).

Por este motivo, seguir e admirar o desenvolvimento do Teatro de Marionetas do Porto - no ano da sua activa existência como Companhia - acaba por constituir uma experiência estimulante, já que o grupo, liderado por João Paulo Seara Cardoso, antigo discípulo do velho titeriteiro mestre António Dias, vem, continuadamente, revelando uma apetência pela experimentação e, sobretudo, pela conquista de competência técnica nas linguagens que trabalha (da luva tradicional à fisicalidade do teatro-dança ou do teatro em que a personagem é absurda «marioneta») que é de toda a justiça colocar o colectivo portuense no primeiro plano das artes performativas portuguesas. (...)

Eugénia Vaques
in Expresso Cartaz, 10 de Outubro de 1998

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