O TEATRO DE MARIONETAS DO PORTO CELEBRA 20 ANOS DE (RE)INVENÇÃO
«A VACA azul comeu uma nuvem», dizem eles. Lá porque se trata de marionetas, neste caso do Teatro de Marionetas do Porto, não quer dizer que o espectáculo seja para crianças. Desta vez até calha ser. O TMP está por Lisboa estes dias, com uma peça para maiores de três anos: Como Um Carrossel à Volta do Sol. São 20 anos de existência que o TMP celebrou este ano. No Teatro Belomonte, situado no centro histórico do Porto, inventam um mundo de criaturas imaginárias a partir de um constante experimentar de novas formas, sempre associado à pesquisa de outras possibilidades de relações entre o actor-manipulador e o objecto manipulado. A história do grupo tem início com a peça Miséria, em 1988, mas a relação do encenador João Paulo Seara Cardoso, director do TMP, com as marionetas é mais antiga e começa pelo percurso mais convencional: os fantoches tradicionais portugueses, o Teatro Dom Roberto. Se nas peças para adultos, a dimensão poética, expressiva e simbólica da marioneta é mais explorada, nas peças para crianças há uma efabulação que passa pelo encantamento associado a uma responsabilidade pedagógica que faz com que, independentemente da idade do público, a qualidade da proposta e as questões tratadas correspondam a um grau de exigência que desafia a imaginação e a inteligência dos pequenos. É nesse horizonte de invenção que decorre Como Um Carrossel à Volta do Sol. Explica a sinopse que «conta a história de um menino que vai crescendo» e, nesse processo, experimenta a alteração da sua relação «com as coisas do mundo, as suas dúvidas, os seus sonhos, as suas inquietações, as suas histórias imaginadas». Por isso há perguntas importantes, por razões distintas: As vacas voam? Os automóveis ficam cansados! O que é que é tudo?
Cristina Margato
In Expresso Cartaz, 6 de Dezembro de 2008
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